terça-feira, 22 de novembro de 2011

La bella Italia

Eu fui à Itália. Nem eu acreditei. O país que quando adolescente era um habitantes dos meus sonhos, se concretizou em três cidades: Veneza, Florença e Milão. E muitas aventuras, claro. Essa viagem já estava programada desde o Brasil, pois minha grande amiga Andreia iria participar de um seminário em Torino e combinamos de nos encontrar em Milão. Quer coisa melhor que desvendar a Itália com uma amiga querida? Saí de Coimbra, fui para Lisboa e de lá peguei o avião. São aproximadamente 3h de voo e uma hora a mais de fuso horário. Mal saí do aeroporto já peguei o metrô que me deixava dentro da estação de trens. E que linda e gigante estação! Encontrei Andreia e a viagem encontrou o primeiro auê. As máquinas onde se compram os tícketes para outras cidades estavam estragadas e a fila para atendimento no guichê quilométrica. O cenário combinava bem com a programação da nossa viagem que não existia direito. Sempre nas viagens que faço, gosto de programar minimamente as coisas. Olhar opções de hostel, horários de ônibus, pontos turísticos, etc. Pois como eu e Andreia estávamos atarefadíssimas, não tivemos tempo de traçar um roteiro apresentável (Chrys, valeu todo apoio na logítica, tá?). A única coisa que ficou decidida era que conheceríamos Veneza e Florença e se houvesse tempo, Pisa e Verona- não deu. Milão ficaria com o último dia, pois era onde saía nosso voo de volta. Conheça a saga italiana.

1- Veneza

Faça sol ou chuva, lá estão os orientais

Eis que entramos no primeiro trem com destino à Veneza e tome a primeira traulitada na cabeça: a passagem era ¢ 31, 50. Ui! Mas como já estávamos ali, fomos. Papo vai e vem e descemos na estação central. Digamos que Veneza não estava lá de muito bom humor: chuva e frio. Completando o pacote alegria, pense em duas mulheres cansadas, sem mapa da cidade (nunca mais viajo sem) e com apenas o endereço do hostel para ficar -mea culpa, mea culpa... - e dois mochilões nas costas. Andamos a esmo por 2h. Sim senhores, 2h debaixo de chuva, com mochilão, fome e cansaço. Veneza não é um lugar simples de se andar. É confuso, as ruas terminam na água, muitas vielas, poucas pessoas na rua por causa do frio. Mas até que conseguimos uma informação mais consistente sobre outro hostel e pegamos a balsa para a estação Zitelle. (cabe aqui um grande parênteses para minha indignação com as balsas venezianas. Não sei se por bobeira de turista, o bilhete que nos foi vendido custava ¢ 6,50 dando direito a apenas uma viagem. É isso mesmo que você leu: cada vez que se colocava o pezinho na balsa, se iam ¢ 6,50. Quer chorar agora ou vai terminar de ler o post antes?). Voltemos a amada balsa. Lá íamos nós, cansadas e desiludidas- mas ainda bem humoradas- coisa fundamental em perrengues- quando um alemão muito simpático veio nos perguntar se tínhamos hostel. Respondi com meu inglês macarrônico que não e ele disse que também não tinha, mas sabia que havia um perto da estação. Ele viu dois indianos com suas mochilas e fez a mesma pergunta a eles e por intermédio de Brama, Shiva e Ganesha, eles já estavam com hostel reservado e fomos juntos para o Ostello Venezia. Que alegria! Um hostel limpinho, com vagas ( ¢22 diária quarto compartilhado) e com novos amigos super agradáveis. E a chuva lá, sem dar trégua. Minhas botas de couro velhinhas nesta altura já estavam completamente ensopadas, o que me obrigou a colocar sacola plástica dentro do sapato. Porque Veneza é uma cidade que pede glamour, né benhê?!

Típica veneziana
O dia seguinte amanheceu sem chuva e nublado. Fomos então bater perna pela linda Veneza. Sim, mesmo submersa a cidade é linda. Ruelas com suas casinhas amontoadas, uma água verde de doer o olho, muitos turistas, a Praça San Marco incrível... Fora as poucas gôndolas que se atreveram a passear, pois o tempo não convidava muito nem o preço: ¢ 80,00. Pelas ruas, milhares de galochas em homens, mulheres, velhos, crianças. Se bobear até os cachorros usavam galochas.A comida é cara, a água é cara, as lindas bolsas de couro são caras, mas valeu muito à pena conhecer um cenário de novela, acompanhada por dois indianos fofos, um alemão comédia e no fim uma australiana simpática. Mas assim como a chegada, a saída não seria fácil. Compramos nossos bilhetes de Florença para a manhã seguinte e acordamos 2h antes. Nos arrumamos e fomos pegar a balsa milionária. Além de ter demorado um pouco a chegar , a balsa não poderia nos deixar na estação de trens, pois o nível da água havia subido muito na noite anterior. Mais um ponto pra chuva! Tivemos que descer antes, tomar um pequeno metrô, correr até a estação e perder o trem. O próximo só seria dali 3h. O jeito foi bater perna e comprar um lanche numa padaria ótima que encontrei. Se volto a Veneza? Talvez, mas não faço tanta questão. É lindo, é incrível, mas é isso. Cenário de novela.

2- Florença

Uma cidadade que anoitece assim pede pra gente voltar
Nossa chegada à Florença também não foi das mais fáceis. Primeiro perdemos o primeiro trem em Veneza. Depois perdemos o trem na estação de Bologna, onde havia uma parada. Como disse Andreia, mineiro também pode perder o trem. E como rimos da nossa confusão, coisa de turista que não fala inglês, nem italiano. Só um portunhol daqueles lascados que acaba por ser entendido. Chegamos em Florença de noitinha, mas dessa vez com a indicação certa de um hostel e um mapa da cidade. Fora que a cidade é fácil de andar, não é como Veneza em que a pessoa dá com os burros n'água- quase literalmente. Chegamos, demos um giro pela parte histórica e ficou claro que a cidade seria especial. O dia amanheceu com sol e céu limpo, perfeito para bater perna por 8h consecutivas pelas ruas. E começamos bem, vendo o Davi de Michelângelo na Galeria della Academia. Eu, leiga que só, não sabia que a estátua tinha 5, 17m de altura. É uma coisa impactante, gigantesta ainda por cima sob um pedestal. E é tão perfeito com suas veias, músculos das pernas, pés e mãos enormes que você pode ficar ali observando por cerca de uma meia hora sem perceber. A Academia possui ainda várias outras obras de arte, mas o carro chefe é mesmo Davi. Vale à pena conhecê-lo (¢ 11,00 entrada). A Duomo de Florença é uma visão mais impactante ainda, com seu mármore todo esculpido e aquela imponência das igrejas. Colado à catedral  de Santa Maria dei Fiore está o tão bonito Batistério, sendo uma de suas portas tão belas que foi considerada uma porta para o paraíso. Um dos berços do Renascimento que merece ser visitado.

Linda Duomo de Firenze
E ainda teve o belo Rio Arno, uma praça de onde se vê toda a parte antiga da cidade, muitos italianos bonitões caminhando, risoto ao funghi (amo!!) acompanhado de bruschettas e várias bicicletas nas ruas. Um charme. Firenze me conquistou e pretendo retornar à cidade para terminar de ir aos museus, sobretudo a Galeria Degli Uffizi onde está 'O Nascimento de Venus' de Boticelli. Não preciso dizer mais nada, né? 

3- Milão

Fãs à espera da Laura Pausini
 Saímos de Florença na manhã do outro dia e compramos uma passagem direto para Milão, sem paradas como aconteceu de Veneza-Florença. Só teríamos quatro horas para andar pela cidade e fizemos isso. A Duomo é maravilhosa e na minha opinião mais bonita que a de Firenze, tanto por fora como por dentro. E para completar, Laura Pausini daria uma canja na praça em frente à catedral. Fã clube presente, muitas câmeras à espera da cantora. Eu que fui fã dela com meus 14, 15 anos, fiquei também à espera. Mas havia tanta gente que não consegui ver e pedi a um homem com aproximadamente 3, 12m de altura para fotografar. Ele só conseguiu pegar a cabeça da Laura bem de longe, mas achei o máximo o pocket show. Quem diria que quase 15 anos depois eu ouviria ao vivo quem vivia tocando no som da minha casa? Coisas que só acontecem comigo. 
Quando a bike é estilo
Milão é a cidade da alta costura, cheia de lojas de grife. Chanel, Dior, Armani e daí em diante. Pessoas mais elegantes, óculos finos, casacões e... Bicicletas. Homens com seus ternos alinhados de bike. Bacana demais. Conhecemos ainda o Castello Sforzesco que é bem bonito e Andreia ainda comeu um panini com a cara ótima. Fomos para o aeporto de Malpensa que fica uns 40min da cidade e voltamos para a velha Lisboa com a mala cheia de macarrão, fotos e boas lembranças. Pra uma viagem muito pouco planejada, nos saímos muito bem. E tivemos um tiquim assim de sorte.  :)

Duas fotos de cada cidade seguindo a ordem do post: Veneza, Firenze e Milão.










5 comentários:

Andreia Costa disse...

no fim, só alegria. Faço minhas suas palavras!

Ana Flavia disse...

Zuza, querida. Que viagem maravilhosa...E aquelas brusquetas...huuummm Me deu agua na boca. Gde bj e aproveite sua estadia.

Paty disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paty M. Cozer disse...

Ju, adorei ler sobre a Itália, morro de vontade de ir e já tenho um final de semana programado em Veneza. Foi bom ler, me espantei com os preços! Espero que não chova tanto assim quando eu estiver lá, chuva é algo que me irrita bastante. O melhor dessas viagens é isso mesmo que tu colocou, quando a gente dá sorte no meio de alguns desânimos.. hahah! Gostei. Beijos!

Anônimo disse...

Moça, peça dicas aos amigos (eu posso me considerar assim né?)qdo viajar! E, por falar em galochas, vale a pena comprar uma dessas moderninhas que nem são caras aí. Não comprei qdo morei aí e me arrependi! bjocas e boas aventuras! Jana